A luz da Palavra

Palavra de Deus 2

28º DOMINGO COMUM  

11 de outubro de 2026
Leituras: Is 45, 1.4-6 / 1Ts 1,1-5b / Mt 22, 15-21

Tudo é de Deus

O Evangelho de hoje nos situa num dilema: como conciliar em nosso cotidiano duas realidades por vezes antagônicas, a autoridade política e a religiosa? Jesus nos aponta o caminho a seguir.

A pergunta feita a Ele é bem maliciosa. Fosse qual fosse a resposta, Jesus estaria em perigo. Mas ele ultrapassa a questão do lícito ou ilícito e conduz seus interlocutores a uma reflexão mais profunda: a autoridade política não pode tomar o lugar de Deus. A autoridade política deve ser respeitada, porque está a serviço do bem comum, mas nunca terá o poder de exigir o que é devido somente a Deus, cuja imagem está impressa em nós. Se na moeda de César está a imagem de César, nos seres humanos, que são a “moeda” de Deus, está a imagem de Deus. E o dever que a salvação nos impõe é o de devolver a Deus o ser humano na sua mais íntegra plenitude de vida, especialmente os mais pobres. A felicidade das pessoas não pode servir de moeda de troca, como geralmente fazem as autoridades políticas, sobretudo em tempo de eleições.

Quando Jesus pergunta de quem é a figura e a inscrição na moeda, vai ao centro da questão. Os judeus usavam a moeda romana e, por isso, não tinham por que se opor ao pagamento do imposto ao Imperador. Mas Jesus acrescenta que se deve dar a Deus o que é de Deus, reafirmando a soberania do Senhor sobre as nações e sobre a vida das pessoas. E, já que a imagem de Deus está gravada em nós, devemos “devolver” nossa vida em adoração somente a ele, cumprindo a sua soberana vontade: “que todos tenham vida em abundância”.

Nenhuma autoridade é eterna ou absoluta: há um único Deus e tudo está submetido a Ele e ao seu plano. Nada nem ninguém podem impedir a realização do projeto divino com relação à pessoa humana. E fica abolido todo tipo de idolatria pessoal às “autoridades”.

A resposta de Jesus tornou-se provérbio: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Alguns interpretam essa frase como uma divisão de tarefas: César para o domínio deste mundo (a cidade terrestre), Deus para o domínio sobrenatural (a cidade celeste). É a teoria dos “dois reinos”, que permitiu muitas vezes a “César” soltar seus demônios, enquanto os responsáveis da Igreja se ocupavam com coisas piedosas, dizendo-se até apolíticos! Muitos, como os fariseus do Evangelho, confundem autoridade humana com autoridade divina e pensam que o fato de não cometer escândalos é suficiente para alguém ser considerado amigo de Deus.

O que, de fato, Jesus quer dizer é que se deve “buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça”, e aí se saberá atender com justiça as exigências da ordem política, que Ele admite, mas relativizando-as, subordinando-as às exigências de Deus.

O peso recai sobre a última parte da frase: “Dai a Deus o que é de Deus”. Jesus parece estar dizendo aos seus interlocutores: “Vocês me importunam com questões de César – bom, sejam consequentes nessas questões – mas o que eu lhes devo lembrar é das questões de Deus”. E as questões de Deus (que não são necessariamente as da “religião”) devem constituir nossa “pré-ocupação” de fé, pois esta, mais que um sentimento, é uma tarefa, uma missão: assumir consciente e livremente o desejo de Deus como um objetivo de vida a ser realizado e efetivado, até que chegue a plenitude da vida para todos os seres humanos.



Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.

Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.

Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.

É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.

Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.

Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.

A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.

Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.

Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.

Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.

Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.

Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.