2º DOMINGO COMUM
18 de janeiro de 2026
Leituras: Is 49,3.5-6 / 1Cor 1,1-3 / Jo 1,29-34
Ele tira o pecado do mundo
O tema vocação liga as três leituras deste domingo. Na Primeira Leitura, o servo é chamado, desde o ventre materno, a unir Israel e ser luz para todas as nações. Como servo, Deus o prepara para levar a salvação a todos os povos. Na Segunda Leitura, Paulo fala da vocação primeira à qual Deus nos predestina: a vocação à santidade. Somos chamados a ser santos! Quem nos santifica é o Filho de Deus! No Evangelho, João nos fala da vocação de João Batista: precursor do Messias! Apresenta também, através do testemunho do Batista, que Jesus é aquele que nos mergulha no Espírito de Deus. Pelo batismo no Espírito Santo, somos chamados a nos configurar em Cristo Jesus.
Ao ver Jesus se aproximar, João diz que ele “é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Pode-se dizer que, com o referido título, João declara que Jesus é o servo sofredor. Mas não só: João diz que o servo sofredor tira o pecado do mundo. Nota-se que a afirmação está no singular: o pecado do mundo. Tirar significa levar embora. Jesus leva embora o pecado do mundo. Mas que pecado é esse? O pecado da não crença em Jesus, o pecado da incredulidade. Em Jesus, não encontramos somente o perdão dos pecados; nele há também a possibilidade de ser tirado o pecado, a injustiça e o mal que nos dominam. Crer em Jesus não se limita a aceitar seu perdão! Crer em Jesus, seguir seus passos, consiste em lutar para o mundo se libertar do pecado que desfigura o ser humano. Pecar não consiste simplesmente em violar as normas divinas. O pecado ofende o ser humano, pois o atinge em seu ser mais profundo. Desumaniza-o não somente enquanto indivíduo, mas também socialmente. Pecar é recusar Deus como Pai e, consequentemente, não aceitar o outro como irmão. Nesse sentido, pode-se definir o pecado como o fechamento do ser humano em si mesmo. Este fechamento decorre da sua autoafirmação diante de Deus e do outro. Fechar-se em si redunda em recusar relação, ou seja, comunhão.
João sustenta por duas vezes que não conhecia Jesus, mas professa sua fé nele. Mas de onde vem essa fé do Batista? A fé de João não se limita em ouvir dizer. Ela se fundamenta em sua experiência de Deus. Ele ouve a voz de Deus e vê o Espírito sobre Jesus. A Palavra de Deus é promessa que se realiza. Quem a ouve certamente verá. A fé que recebemos no batismo nos convida a ouvir a Palavra de Deus e ver as maravilhas que ela realiza em nossa vida e na vida de comunidade. A fé de João o leva a aniquilar-se para que Cristo se manifeste: “vim batizar com água para que ele fosse manifestado a Israel”. A fé faz com que deixemos Deus se manifestar a todos. Vivemos plenamente a fé não quando julgamos possuir um poder que nos faz ter Deus ao nosso serviço, ou quando a vivemos de maneira intimista — estas são visões utilitaristas da fé, ou seja, visão burguesa da fé —, mas somente quando ela nos leva a nos pôr a serviço dos nossos irmãos! A fé verdadeira nos instiga a ter sempre jarro e bacia na mão! O avental é a veste mais bonita da fé! Desse modo, todos nós, batizados, somos, no mundo, precursores de Jesus, assim como fora João Batista.
João Batista declara ainda que ele veio “batizar com água”, mas Jesus, conforme a revelação do Pai, “é quem batiza com o Espírito Santo”. O batismo do Batista é um mergulho purificador. Nas águas do Jordão, todos aqueles que aguardam o Messias purificam-se! O batismo de Jesus consiste num mergulho no Espírito Santo. Somos imersos no Espírito de Deus! Em Jesus, toda a humanidade é recriada. Assim, o Espírito de Deus age em nós todas as vezes que lutamos em favor da vida! O Espírito Santo nos move sempre quando criamos condições para que a vida aflore e, com isso, expulsamos do meio de nós os reinos da morte! É o Espírito Santo que nos santifica. Deixando-nos conduzir pelo Espírito da Vida, Espírito da Verdade e pelo Espírito de Amor, iremos nos santificando na nossa peregrinação da fé, ou seja, iremos nos tornando perfeitos como o nosso Pai. Imersos no Espírito Santo, deixando-o agir em nós, testemunhamos, como João Batista, que Jesus é o “Filho de Deus”.
CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2025
Neste ano, a Campanha da Fraternidade aborda outra vez a temática ambiental, com o objetivo de “promover, em espírito quaresmal e em tempos de urgente crise socioambiental, um processo de conversão integral, ouvindo o grito dos pobres e da Terra” (Objetivo Geral da CF 2025).
Estamos no decênio decisivo para o planeta! Ou mudamos, convertemo-nos, ou provocaremos com nossas atitudes individuais e coletivas um colapso planetário. Já estamos experimentando seu prenúncio nas grandes catástrofes que assolam o nosso país. E não existe planeta reserva! Só temos este! E, embora ele viva sem nós, nós não vivemos sem ele. Ainda há tempo, mas o tempo é agora! É preciso urgente conversão ecológica: passar da lógica extrativista, que contempla a Terra como um reservatório sem fim de recursos, donde podemos retirar tudo aquilo que quisermos, como quisermos e quanto quisermos, para uma lógica do cuidado.
Nesta Campanha, a Ecologia reaparece de uma forma nova, como Ecologia Integral, conceito tão caro ao Papa Francisco e que é tão importante no seu projeto de um Novo Humanismo Integral e Solidário, para o qual são bases a Amizade Social, tratada na CF 2024, a Educação, tratada na CF 2022 e no Pacto Educativo Global, o Diálogo, tratado na CF 2021 e a misericórdia ou Compaixão, tratada na CF 2020.
Para nós, a Ecologia Integral é também espiritual. Professamos com alegria e gratidão que Deus criou tudo com seu olhar amoroso. Todos os elementos materiais são bons, se orientados para a salvação dos seres humanos e de todas as criaturas. Assim, “Deus viu que tudo era muito bom!” (Gn 1,31).
Fazendo a leitura do Cartaz
O espírito da Campanha se expressa de maneira condensada no seu cartaz. Em destaque, São Francisco de Assis representa o homem que viveu uma experiência com o amor de Deus, em Jesus crucificado, e reconciliou–se com Deus, com os irmãos e irmãs e com toda a criação. No centro, a Cruz é um elemento importante na espiritualidade quaresmal. No cartaz, ela recorda a experiência do Irmão de Assis onde Francisco ouviu o próprio Cristo que falava com ele e o enviava para reconstruir a sua Igreja. A Quaresma é este tempo de reconstrução de cada cristão, cada comunidade, a sociedade e toda a Criação, porque somos chamados à conversão.
A natureza se faz presente na araucária, no ipê amarelo, no igarapé, no mandacaru, na onça pintada e nas araras canindés, que representam a fauna e a flora brasileiras em toda a sua exuberância, que ao invés de serem exploradas de forma predatória, precisam ser cuidadas e integradas pelo ser humano, chamado por Deus a ser o guarda e o cuidador de toda a Criação.
Os prédios e as favelas refletem o Brasil a cada dia mais urbano, onde se aglomeram verdadeiras multidões num estilo de vida distante da natureza e altamente prejudicial à vida. Cada um de nós, seres humanos, o campo, a cidade, os animais, a vegetação e as águas fomos criados para ser, com a nossa vida, um verdadeiro “louvor das criaturas” ao bom Deus.
A técnica da colagem possibilita a união de elementos diferentes em uma única composição, refletindo a diversidade e a interligação entre tudo o que existe, entre toda a Criação e fazendo referência. à Ecologia Integral, onde todos os aspectos da vida – espiritual, social, ambiental e cultural – são considerados e valorizados. Cada pedaço na colagem, apesar de único, contribui para a totalidade da imagem, assim como cada pessoa e cada parte do meio ambiente tem um papel crucial na criação de um mundo sustentável e harmonioso.
A Campanha da Fraternidade é uma bússola para que muitas luzes sejam postas nos caminhos de todas as camadas sociais do nosso país. Com sua capilaridade, a Igreja se propõe a ser missionária da justiça e da paz neste contexto de polarizações e desmandos relacionais.

