11º DOMINGO COMUM
14 de junho de 2026
Leituras: Ex 19,2-6a / Rm 5,6-11 / Mt 9,36-10,8
Um povo de “sacerdotes” para Deus
Deus quis um povo para si, um povo santo, um povo “sacerdotal”, para santificar o mundo todo em seu nome. Um povo que fizesse sua vontade, realizasse seu reino: “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. Essa vocação do povo, por ocasião da proclamação da Lei no monte Sinai, prefigura aquela vocação mais plena que, no monte da Galileia, Jesus dirigiu a doze humildes galileus. Eles são como que representantes das doze tribos de Israel, e ele os manda para a colheita messiânica, para ceifar com a palavra do evangelho, anunciando a vinda do Reino. Eles são o começo do verdadeiro Israel, o novo povo de Deus. Os sinais disso são os prodígios que os acompanham na sua missão: curam enfermos, limpam leprosos, ressuscitam mortos, expulsam demônios.
O Evangelho narra a vocação e missão dos doze apóstolos de Jesus. No Antigo Testamento, Deus escolheu as doze tribos de Israel para ser seu “povo sacerdotal”, povo que devia celebrar e mostrar aos outros povos a santidade de Javé, sua Lei e seu reinado (Primeira Leitura). Ora, o evangelho conta que Jesus encontrou a massa popular abatida e exausta. Pede a seus discípulos, em número não especificado, que rezem para que Deus envie “trabalhadores” para a “colheita messiânica”, ou seja, para reconstituir, a partir dessa massa dispersa, o povo de Deus. De acordo com a estrutura do antigo povo das doze tribos, Jesus chama doze “trabalhadores” para dar início à colheita que deve constituir o novo povo de Deus. Esses doze trabalhadores, Jesus os manda anunciar o Reino e curar as doenças. E, pensando no “aqui e agora”, manda-os primeiro às ovelhas desgarradas de Israel, para, depois de sua ressurreição, enviá-los a todas as nações.
Nosso povo também está abatido, oprimido. Observamos a decadência social, e até física, das populações das periferias e do interior, a desorientação dos jovens, a violência crescente, o desinteresse pelo empenho político por uma sociedade justa e fraterna. Tudo isso não nos deve desanimar: é um desafio. A tarefa de congregar o povo na justiça e na fraternidade continua. A consciência comunitária e a missão evangelizadora poderão transformar a situação, como acontece, por exemplo, nas comunidades que se articulam preferencialmente com aqueles que sempre são passados para trás, os pobres, os marginalizados, para viver realmente o evangelho. Jesus envia os doze a anunciar e a curar. As curas são sinais de que no âmbito da missão de Jesus se realiza aquilo que Deus deseja, o bem de seus filhos. Em nossa missão evangelizadora, a palavra deve vir acompanhada da prática transformadora. É preciso apresentar “amostras do Reino”. As palavras falam, os exemplos atraem.
A vocação que Cristo dirige aos “trabalhadores” não é algo meramente individual, só para nossa santificação pessoal. Chamando doze trabalhadores, o número das tribos de Israel, Jesus manifesta a intenção de constituir um povo para Deus. Se Jesus toma como referência as doze tribos de Israel, símbolo de sua própria tradição religiosa e cultural, isso é uma lição para nós. Povo para Deus não se constrói destruindo sua identidade. Será que nós respeitamos, ou melhor, devolvemos à multidão popular (índios, negros, etc.) a sua identidade? E enviamos a eles “trabalhadores” que representem as feições próprias deles?
Deus e Jesus quiseram a ajuda de um povo. O reino de Deus não pode ser realizado sem o povo, ainda que seja fraco e até inconfiável (como revela o caso de Judas no tempo de Jesus e a fragilidade do povo que se entrega às ilusões do consumismo hoje). O paternalismo pastoral não leva a nada. Para serem “povo”, é preciso que as pessoas participem ativamente, pelo anúncio e pela ação transformadora, da realização do reino de Deus.
Mas não só a Igreja, em sue conjunto, é missionária: cada cristão, justificado por Cristo (Segunda Leitura), é chamado a colaborar, na vida presente, na construção do Reino: cada cristão é “sinal” que deve resplandecer aos olhos de todos; é “enviado” a anunciar a Palavra; é ”responsável” pela Palavra; deve levar ao ambiente em que vive e trabalha aquele calor e zelo que Cristo levou, reconhecendo Cristo em todos e em quem tem necessidade do nosso interesse.
Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.
Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.
Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.
É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.
Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.
Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.
A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.
Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.
Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.
Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.
Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.
Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.

