A Luz da Palavra

Palavra de Deus 2

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM

12 de agosto de 2018

Dia dos Pais

Leituras: 1Rs. 19,4-8 // Ef 4,30-5,2 // Jo 6,41-51

Viver eternamente

O alimento e a água dados por Deus ao profeta Elias, que lhe restauram as forças e o sustentam na longa caminhada até a Montanha de Deus, são transparentes figuras da eucaristia e do batismo, que dão a vida eterna e sustentam o cristão no caminho para Deus.

Come deste pão!

Elias está fazendo um êxodo ao contrário, pois, durante 40 anos, o povo foi do deserto para Israel e agora o profeta vai da terra prometida à Montanha de Deus. E, assim como aconteceu aos antepassados, Deus providenciou alimento e água para manter a vida do profeta. Com o alimento e a água, Elias sentiu-se confortável e quis ficar ali acomodado, dormindo. Mas recebeu uma ordem para levantar-se (mesmo termo que significa “ressuscitar”) e dirigir-se até a Montanha de Deus.

O profeta andou 40 dias, fortalecido pelo alimento e pela água, em clara alusão aos 40 anos que os hebreus haviam passado no deserto alimentados pelo maná e pela água tirada da rocha. Elias precisava chegar à Montanha, lugar onde Deus havia confirmado a aliança feita com os patriarcas e seus descendentes e adotado as tribos de Israel como povo escolhido.

Quem comer deste pão viverá eternamente

Vida eterna não é a mesma coisa que vida pós-morte. Significa vida reconciliada com Deus. Vida essa que já começa aqui, numa existência orientada para Deus, em profunda união com ele, e se prolonga após a morte. Nesse sentido, quem come desse pão não morrerá. Isso não diz respeito à morte física (faz parte da realidade humana, da sua condição de ser histórico, finito, contingente). Não morrer, no sentido cristão da palavra, significa que a morte como ruptura definitiva com Deus foi abolida.

Se, na existência humana histórica, se pode viver em união com Deus, essa união não termina com a morte. Esta se transforma em passagem para uma vida plena, em que o filho retorna à casa do Pai. Se o cristão vive sua vida reconciliada com Deus, então até mesmo a morte se torna sua aliada, e não uma realidade terrível que o ser humano tenta desesperadamente evitar. Assim como Jesus enfrentou a morte de cabeça erguida, nele nós enfrentamos a morte como vencedores, pois temos nossa vida em Deus.

A entrega de Jesus na cruz não é um evento pontual, mas o resultado de tudo o que ele ensinou e viveu. Porque ele se entregou à humanidade durante sua vida inteira, pôde entregar-se finalmente na morte. A existência inteira de Jesus foi oferta agradável ao Pai em prol do ser humano: ”é minha carne para a vida do mundo”, refere-se à entrega que faz de si mesmo na cruz para a vida do mundo.


Celebrando hoje a vocação de constituir família, homenageamos especialmente os pais, enfatizando o relacionamento filial que Cristo nos ensinou a ter com Deus, seu e nosso Pai. Os sacramentos é que nos introduzem nessa filiação. Através deles, a ação de Deus efetiva esse relacionamento filial. O alimento material é apenas um sinal de tudo o que Deus realizou em nosso favor como Pai amoroso, imagem permanente da vocação  de todos os pais, que, na Eucaristia de hoje associamos ao amor do próprio Deus.