A luz da Palavra

Palavra de Deus 2

5º DOMINGO DA PÁSCOA  

3 de maio de 2026
Leituras:  At 6,1-7 / 1Pd 2,4-9 / Jo 14,1-12

O Caminho da Verdade e da Vida

No domingo passado, Cristo foi chamado a “porta das ovelhas”. No evangelho de hoje, vemos com maior clareza por que Cristo é o acesso ao Pai: Caminho, Verdade e Vida, três termos, que constituem uma unidade (o Caminho da Verdade e da Vida). Jesus inicia o diálogo da sua despedida dizendo da necessidade de sua partida: ele vai preparar um lugar para seus discípulos. Quando Jesus sugere que eles conhecem o caminho, Tomé, o cético, responde que não o conhecem. Então, Jesus explica que Ele mesmo é o caminho pelo qual se chega ao Pai. Nesse momento, quando já se iniciou o dia de entregar a vida por amor até o fim, Jesus revela que, nele, contemplamos Deus. Nossas perguntas encontram nele resposta; nosso espírito, verdade; nossa angústia, a fonte da vida. Nesse sentido, Ele mesmo é o caminho que nos conduz ao Pai e, ao mesmo tempo, a Verdade e a Vida que se tornam acessíveis para nós.

Jesus não falou assim quando realizava seus “sinais”: o vinho de Caná, o pão para a multidão, a cura do cego ou a revivificação de Lázaro. Pois o sentido último para o qual a atuação de Jesus apontava não era fornecer vinho ou pão, ou substituir um médico ou curandeiro, mas manifestar o amor do Pai, o Deus-Amor. Agora trata-se de ver a Deus em Jesus Cristo na hora de sua entrega por amor. Para saber como é Deus, o Absoluto da nossa vida, basta contemplar a existência de Jesus de Nazaré, “existência para os outros”, na qual Deus imprimiu seu selo de garantia, no coroamento que é a ressurreição.

A trágica lógica do mundo

Dizem os filósofos existencialistas e ateístas que a vida caminha para a morte; que a maior verdade sobre a vida é a morte, única certeza que temos; que humanamente, a vida é mortal, finita e se decompõe. Daí o homem sem fé, sem Cristo, sem vida espiritual viver em profunda angústia, temer o futuro, fechar-se e querer resgatar a vida no “ter”, como se pudesse inverter a trágica dimensão passageira da vida ajudado pela ciência, pela cultura e pela tecnologia. Diz-se até que viver é “morrer um pouco” cada dia!

O olhar de quem tem fé e mergulha sua vida na Páscoa de Jesus

Na Bíblia, caminho e caminhar significam muitas vezes o modo de proceder.  Se Jesus chama a si mesmo de caminho, não se trata de algo teórico, uma doutrina, mas de um modo de viver. O caminho ou caminhar reto é o que hoje chamaríamos de moral ou virtude. Portanto, é vivendo como Jesus viveu que conhecemos o seu caminho e encontramos a vida e a verdade às quais Ele nos conduz. Faz entender que os que chegam ao conhecimento-experiência de Deus são os que praticam o que Ele praticou plenamente: o amor e a fidelidade até o fim. (E isso pode acontecer até fora do credo cristão).

Depois da pergunta de Tomé, temos o desejo de Filipe: “Mostra-nos o Pai”. E Jesus explica a Filipe: “Quem me viu, viu o Pai”. Ele quer dizer que ao olhar para Jesus de Nazaré, para sua vida, para sua palavra e sua morte, podemos dizer: assim é Deus – isso nos basta! E isso é possível porque Jesus, trilhando até o fim o caminho que Ele mesmo é, mostra Deus assim como Ele é, pois “Deus é amor”. O gesto de amor e fidelidade de Jesus até o fim é a suprema revelação de Deus. Não podemos, nesta existência terrena, conhecer a Deus em si. Ele é “o além de nossos horizontes”. Mas Ele se manifesta a nós naquele que faz sua vontade e lhe pertence por excelência, Jesus de Nazaré.

Vocação da comunidade eclesial

Quando Cristo encarna o que Deus fundamentalmente significa para a humanidade – amor radical –, sua comunidade é chamada a manifestar essa mesma realidade de Deus ao mundo. Desta santa vocação participam todos os que foram batizados em Cristo, trilhando o “caminho” que é Jesus. Então, se a gente faz Páscoa com Cristo, nossa vida tem outras certezas, para além do medo do futuro, das inseguranças e das angústias existenciais: a nossa vida não é banal, finita e mortal; a verdade sobre nossa vida não está escondida na morte; o caminho da nossa vida não são as trilhas do mundo, mas é uma Pessoa, que o trilhou antes de nós: Jesus Cristo! Vivendo, crendo e seguindo, já participamos, desde aqui da terra, da plenitude da vida: o Céu!



Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.

Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.

Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.

É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.

Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.

Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.

A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.

Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.

Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.

Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.

Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.

Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.