SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR
17 de maio de 2026
Leituras: At 1,1-11 / Ef 1,17-23 / Mt 28,16-20
A Ascensão do Jesus já é nossa vitória
Quarenta dias depois da Páscoa, a Igreja celebra a Ascensão do Senhor: mais do que uma aparição na qual Jesus é elevado ao céu, é toda a realidade de sua glorificação que celebramos, aquilo que os primeiros cristãos chamaram de “estar sentado à direita do Pai”. Depois de sua ressurreição, Jesus não veio retomar sua atividade de antes na terra nem implantar um reino político de Deus no mundo, como muitos achavam que ele deveria ter feito. Não. Jesus realiza-se agora em outra dimensão, a dimensão de sua glória, de seu senhorio transcendente. A atividade aqui na terra, ele a deixa para nós (“Sede as minhas testemunhas”), e nós é que devemos reinventá-la a cada momento. Na ressurreição, Jesus volta a nós, não mais “carnal”, mas em condição gloriosa, para nos animar com seu Espírito.
As leituras narram a ascensão de Jesus e a missão dos apóstolos. O final do Evangelho de Mateus revela o sentido universal de todo o ensinamento nele consignado. Na última fala, o Senhor glorioso transcende os limites de Israel. Suas últimas palavras significam o universalismo da missão dos apóstolos e da expansão da Igreja. Todos os povos serão discípulos de Cristo (assinalados pelo batismo). Os dias passados entre a Páscoa e a Ascensão formam “o retiro de preparação para o desabrochar da Igreja”: 40 dias, como os 40 dias de Moisés e de Elias no Horeb, como os 40 anos de Israel no deserto, como os 40 dias de Jesus antes de expor sua ação ao mundo. Nesses dias, Jesus deu as últimas instruções aos seus: a promessa do Espírito e a missão de evangelizar. Os discípulos não devem ficar olhando o céu; deverão levar a mensagem ao mundo inteiro, “até os seus confins”; com a força do Espírito. Até o Senhor voltar, sua Igreja será missionária. A missão que Jesus confiou aos discípulos é universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas, não podem ser obstáculos para a presença da proposta libertadora de Jesus no mundo. É claro que o mundo do século XXI apresenta, todos os dias, desafios novos; mas os discípulos, formados na escola de Jesus, são convidados a ler os desafios que hoje o mundo coloca, à luz dos ensinamentos de Jesus. O testemunho cristão, que Jesus nos encomenda, não é triunfalista. É fruto da serena convicção de que, apesar de sua rejeição e morte infame, “Jesus estava certo”. Na serenidade de nossa fé e na vivência radical da caridade, damos um testemunho implícito. Mas é indispensável o testemunho explícito, para orientar o mundo à fonte de nossa prática, o próprio “Senhor” Jesus.
A ideia do testemunho levou a Igreja a fazer da festa da Ascensão o dia dos meios de comunicação social – a “mídia” (imprensa, rádio, televisão, internet, redes sociais.) Como é possível que num país tão “católico” como o nosso haja tão pouco espírito cristão na mídia e tanto sensacionalismo, consumismo e até militância maliciosa em favor da opressão e da injustiça, da intolerância, da violência e da polarização política e social? Como é possível num país tão cristão como o nosso, as pessoas se alimentarem das fakenews, transformando a mentira em verdade e o engano em norma de vida? É um tremendo desafio testemunhar, hoje, no mundo e na mídia os valores do “Reino”, que, muitas vezes, estão em contradição com aquilo que o mundo defende como prioridades da vida. Com frequência, os discípulos de Jesus são objeto da ironia e do escárnio dos outros, porque insistem em testemunhar que a felicidade está no amor e no dom da vida; são apresentados como vítimas de uma máquina de escravidão, que produz escravos, alienados, vítimas do obscurantismo, porque insistem em testemunhar que a vida plena está no perdão, no serviço, na entrega da vida.
O confronto com o mundo gera, muitas vezes, desilusão, sofrimento, frustração. Nos momentos de decepção e de desilusão convém, no entanto, recordar as palavras de Jesus: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos: Ele é, realmente, o Deus-conosco, para sempre e para todos. É como Senhor glorioso que Ele voltará, para concluir o curso da história. Pouco importa como a gente imagina isso; o sentido é que, desde já, Jesus é o Senhor do universo e da história (Sl. 47) e nós, obedientes à sua palavra, colaboramos com o sentido definitivo que ele estabelece e há de julgar.
Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.
Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.
Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.
É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.
Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.
Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.
A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.
Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.
Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.
Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.
Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.
Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.

