A luz da Palavra

Palavra de Deus 2

4º DOMINGO COMUM 

1º de fevereiro de 2026
Leituras: Sf 2,3; 3,12-13 // 1Cor 1,26-31 // Mt 5,1-12a

Viver centrado em Deus

Assim como é próprio da razão buscar o conhecimento, é próprio da vontade buscar a felicidade. Nenhum ser humano pode deixar de buscá-la. A procura por ela é sempre individual. Os caminhos que eu persigo para buscá-la são os meus caminhos. Mas embora a busca pela felicidade seja sempre individual, eu jamais posso ser feliz sozinho. Sou feliz se os outros também forem. No fundo, todos nós buscamos Deus. Mas para encontrá-lo, é preciso entender os caminhos pelos quais Ele se dá a nós.

No Evangelho Jesus define que são felizes aqueles que encontram apoio somente no Pai, porque buscam o bem para todos. As bem-aventuranças consistem, então, no programa de seguimento de Jesus. São 9 ilustrações de como viver centrado em Deus. E a recompensa, que é a felicidade em estado permanente vem da bondade divina. Quem são, portanto, esses “benditos” do Pai:

  • Os pobres no espírito”: os que não possuem apego aos bens deste mundo. Sabem que os critérios de felicidade de Deus são diferentes dos critérios humanos. Seu coração não tem amarras. Sabem que onde há partilha, há lugar para todos: todos são inclusos! Por isso estão livres para voltar-se para Deus.
  • Os que choram”: os que padecem a injustiça de uma sociedade excludente, pois não contam para um sistema econômico cuja base se assenta no consumo. Seus sofrimentos são impostos pelo próprio ser humano. Eles são consolados porque Deus “sofre onde sofre o amor” (Jürgen Moltmann).
  • Os mansos”: os que estabelecem relações alicerçadas na não violência. Diante do outro, apresentam-se desarmados, sem preconceitos, sem defesas. Simplesmente acolhem o diferente. Por isso, a herança deles é a terra, ou seja, o reinado de Deus!
  • Os que têm fome e sede de justiça”: aqueles que procuram ser justos e realizar a vontade de Deus e constroem um mundo mais humano, no qual todos possam viver com dignidade. Estes serão saciados com o Reinado de Deus!
  • Os misericordiosos”: os que se deixam mover pela compaixão. Neles, o amor está sempre em ato, em comunhão com o próximo. Seu amor é gestual, operativo, sempre em ato, nunca abstrato! “Estive nu e me vestistes, faminto e me destes de comer, doente e fostes me visitar”, idoso e não me desprezastes, no mundo das drogas e me acolhestes.
  • Os puros no coração”: os que não se deixam corromper por outros deuses: dinheiro, poder, consumo. Eles são puros no seu ser mais profundo e comungam com a face divina.
  • Os que promovem a paz”: os que constroem a paz, criam laços de fraternidade, estabelecem canais de comunicação onde não há dialogo, restabelecem amizades rompidas pela intolerância. Verdadeiros filhos de Deus.
  • Os perseguidos por causa da justiça”: os que buscam realizar a vontade de Deus, a instauração de seu Reino. Perseguidos por causa da justiça, não revidam com o mal, por isso contribuem para extinguir o pecado do mundo, tal como o “Cordeiro de Deus”.
  • Os que são incompreendidos por causa de Cristo”: Jesus se coloca como causa da perseguição de seus discípulos. Isto consiste num convite de alegria que Jesus faz aos seus discípulos. Assim como o próprio Jesus foi rejeitado pelo poder constituinte (político e religioso), os seus discípulos, de todos os tempos, têm a mesma sorte.

Na contramão da cultura atual, em que a felicidade se reduz a “bem-estar” individual, a verdadeira felicidade de que nos fala Jesus encontra-se somente em Deus, quando construímos um mundo humano para todos, imitando a felicidade da Trindade, que é comunhão! O convite de Jesus aos seus discípulos significa isto: descentralizem-se de si mesmos, não busquem sua felicidade segundo os seus interesses. Centralizem-se em Deus e sejam felizes construindo um mundo no qual todos possam ser felizes. Ninguém é feliz sozinho. Só de Deus vem a verdadeira felicidade, porque Ele é Pai de todos.



Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.

Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.

Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.

É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.

Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.

Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.

A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.

Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.

Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.

Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.

Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.

Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.