A luz da Palavra

Palavra de Deus 2

5º DOMINGO DA QUARESMA 

22 de março de 2026
Leituras: Ez 37,12-14 / Rm 8,8-11 / Jo 11,1-45

O Espírito de Ressurreição e Vida

O Espírito de Deus move a história. Ele intervém na história humana para transformá-la em história da salvação. Deus concede seu Espírito para libertar o ser humano de toda espécie de escravidão. O Espírito de Deus nos faz sair dos “túmulos” da desesperança, do medo, da acomodação. Ele é o Deus da vida em plenitude. Os 3 textos da Liturgia de hoje enfatizam a vitória da vida sobre a morte como dom de Deus.

Na 1ª Leitura, o povo de Deus se encontra sem esperança, no túmulo do exílio da Babilônia, mergulhado em profunda crise. Longe da terra que Deus lhe concedeu, sente-se abandonado por Deus e sem esperanças de futuro. A situação era desesperadora que neste pequeno texto aparece 3 vezes a palavra “túmulos”. Mas Deus não se conforma com a morte de ninguém. Suscita o profeta para anunciar novo tempo: vai infundir nos exilados o seu Espírito, que lhes dará força e coragem para se reerguerem das cinzas. Se no primeiro êxodo, Deus libertou o seu povo da escravidão do Egito e lhe deu a terra prometida, agora também vai livrá-los do domínio da Babilônia, e serão reintroduzidos na terra de Israel. O jugo estrangeiro será quebrado, e o povo disperso (parecendo ossos secos espalhados num vale) poderá voltar a se reunir em sua própria terra, onde habitará com segurança. Isso acontecerá pela intervenção gratuita de Deus. Ele desperta para a vida os que se encontram em situação de morte. Faz sair os esqueletos dos seus túmulos. Reanima os “cadáveres ambulantes”. O seu Espírito penetra nos corpos sem vida. O dom do Espírito de Deus revigora o coração do povo e lhe suscita vida. Tomando consciência de que é amado por Deus, o povo descobre-se como capaz de mobilizar-se para a reconquista da liberdade.

Na narrativa da ressuscitação de Lázaro (Evangelho) Jesus aponta um caminho novo para derrubar todas as barreiras que impedem a pessoa de realizar-se plenamente, vencendo as causas de todos os males. Vencendo a própria morte, Jesus é a vida definitiva. Somente os que creem nele com convicção, compreendem e acolhem essa verdade. Ele mesmo diz aos discípulos: “Esta morte é para que vocês creiam”.

As personagens refletem diferentes concepções a respeito de Jesus e três modos de comportar-se diante dele: Primeiramente Marta. “Saiu ao encontro de Jesus” chamando-o “Senhor” e “Filho de Deus”, declarando-lhe convictamente sua fé. E vai anunciar à sua irmã Maria. O comportamento de Marta é o retrato das pessoas que têm fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, Salvador da humanidade. Para estes, a ressurreição é uma realidade não apenas para o futuro, mas para o presente. Toda atitude em favor da vida é sinal de ressurreição e gesto de glorificação a Deus, criador e libertador. Maria, por sua vez, vai ao encontro de Jesus, mas não consegue declarar sua fé. Está ainda angustiada e paralisada diante da realidade da morte. Já os judeus apenas seguem Maria, sem ter consciência de ir ao encontro de Jesus nem muito menos fazer alguma confissão de fé.

Jesus, muito humano, participa da dor das pessoas que sofrem, comove-se e chora. Sua comoção, porém, pode ser traduzida como impaciência com a falta de fé tanto de Maria como dos judeus. Para além das lamentações, Ele reza ao Pai para que, diante do sinal definitivo da ressurreição, “eles acreditem” nele como enviado de Deus. Lázaro está enterrado há quatro dias. O “quarto dia” refere-se ao tempo depois da morte de Jesus, o tempo das comunidades que creem. Portanto, é o tempo da graça por excelência, que deve ser vivido de forma totalmente nova. Lázaro e as comunidades cristãs são chamados a sair dos túmulos do medo, da acomodação, do egoísmo e da tristeza; a “desatar-se” das amarras dos sistemas que oprimem e matam. As pessoas de fé autêntica, seguidoras de Jesus, são verdadeiramente livres. O “quarto dia” é o tempo da ressurreição, dom de Deus.

O Espírito de Cristo mora em nós e nos dá vida (2ª Leitura). Viver no Espírito é viver de tal modo que estejamos permanentemente na comunhão com Jesus Cristo. Conduzidos pelo Espírito de Jesus que habita em nós, realizamos as obras que agradam a Deus. Morremos para o egoísmo e ressuscitamos no amor: esta é a graça da imortalidade!



Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.

Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.

Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.

É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.

Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.

Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.

A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.

Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.

Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.

Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.

Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.

Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.