DOMINGO DA PÁSCOA NA RESSURREIÇÃO DO SENHOR
5 de abril de 2026
Leituras: At 10,34.37-43 / Cl 3,1-4 / Jo 20,1-9
Cessa todo luto, desaparece toda tristeza. A fé nos garante que Deus não permitiu que Jesus permanecesse no mundo das trevas, da morte, da escuridão. Ele vive, mora na luz, não conheceu para sempre a mansão dos mortos, mas tornou-se transparente em seu corpo espiritual, atravessando portas fechadas, presente no pão e no vinho, sempre presente nas salas tão parecidas com aquela do Cenáculo. A Igreja vive uma incontida alegria. Quem dera pudéssemos ter vozes harmoniosas brotando de corações límpidos para viver esse tempo de glória e de vitória. Festa das festas: da verdadeira passagem, da verdadeira páscoa, do círio iluminado, dos pequenos que acolhem a certeza da vitória.
É o primeiro dia de um novo mundo. A princípio esta manhã não foi tão luminosa assim… Depois, quando os olhos dos discípulos se abriram pela luz e para a luz da fé, as coisas mudaram. Nas Sagradas Escrituras, um sinal não é simplesmente um evento milagroso, mas algo que aponta para uma realidade de significado mais amplo. Os sinais indicam que Deus está realizando algo que não é percebido por quem não fez a experiência de fé e amor. Os sinais não servem como provas ou argumentos lógicos para convencer ninguém, porque somente podem ser percebidos por quem faz a experiência de fé e amor. É esta experiência que indica que um acontecimento comum é sinal da ação de Deus.
Esse primeiro dia da semana ficará para sempre na memória dos discípulos de Jesus. Desde o começo da vida da comunidade cristã esta passou a se reunir no primeiro dia da semana, dia do sol, dia feito pelas mãos do Senhor. Dia em que todos, como Pedro, entramos no sepulcro vazio e voltamos para casa admirados na expectativa de estarmos com o Senhor que mais tarde se fará reconhecer na fração do pão.
A fé coloca o discípulo em prontidão. Maria Madalena não esperou o dia nascer, foi ao túmulo de seu amado muito cedo, de madrugada, quando as trevas ainda não tinham sido estancadas. A pedra que cobria a entrada do sepulcro fora afastada. E sai correndo… nada pode ser feito devagar, com lentidão, com indolência… afinal de contas se tratava do corpo daquele que havia dado sentido aos seus dias. Sai correndo para avisar aos discípulos. Pedro, valorizando a experiência das mulheres sai correndo de casa e se dirige ao sepulcro. O relato evangélico faz questão de dizer que todos correm… o amor faz com que as pessoas não sejam inertes, indolentes, apáticas. O amor coloca fogo no coração e agilidade nas pernas, nas mãos e em todo o corpo. E ele constata a ausência do corpo que os olhos não podiam ver… Ainda não tinha entrado no universo da fé…
A ressurreição de Jesus não consiste na reanimação de um cadáver, mas é um mistério de fé e de vida! Somos discípulos do Ressuscitado. Ele caminha conosco, transfigurado, com seu corpo espiritual que passa pelas portas fechadas. Ele nos fala sempre por sua palavra viva, faz com que sentemo-nos à sua mesa, lava-nos com a água de seu peito e vive conosco. Cremos. Esta é a nossa fé. A mensagem da Páscoa não é a do sepulcro vazio mas de uma Presença misteriosa e firme atestada desde as primeiríssimas gerações cristãs. “A pedra que os pedreiros rejeitaram se tornou a pedra angular. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso!”.
Nossos olhos não podem deixar de olhar para o alto. Não somos da terra, mas do alto. Temos que procurar “as coisas do alto, onde está Cristo sentado à direita do Pai, e nossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Os discípulos de Cristo renascem e ressuscitam com ele. Nicodemos, enfim, compreendeu que o renascimento não é entrar na carne da mãe, mas nascer da água e do espírito. Da água que saiu do peito aberto de Cristo e daquele que ele nos deu, expirando: “E entregou o espírito!”. Levantamos, corremos, trabalhamos, somos leigos cristãos, religiosos, balconistas, pais e mães, doentes e sadios…. vivemos nossa vida à luz da vida do ressuscitado. Não somos fadados a morrer. Nossa vida está escondida em Cristo Jesus. Um dia essa vida escondida da páscoa do ressuscitado explodirá em nós e seremos revestidos de glória.
Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.
Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.
Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.
É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.
Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.
Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.
A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.
Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.
Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.
Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.
Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.
Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.

