A luz da Palavra

Palavra de Deus 2

SOLENIDADE DOS SANTOS

PEDRO E PAULO APÓSTOLOS  

28 de junho de 2026
Leituras: At 12,1-11 / 2Tm 4,6-8.17-18 / Mt 16,13-19

Ligados na terra e no Céu

Os dois principais apóstolos da comunidade primitiva são recordados em uma solenidade que nos convida ao compromisso de fé e à missão, repensando nosso processo de seguimento de Jesus.

Paulo não fez parte dos primeiros seguidores da Galileia. Depois de sua experiência de encontro com Cristo no caminho de Damasco, ele deixa de ser um perseguidor dos cristãos para se tornar um proclamador do Evangelho, sobretudo entre os pagãos. Provado nas tribulações decorrentes dessa causa, foi martirizado por testemunhar a fé em Jesus até o fim da vida. Na 2ª Leitura Paulo deixa um testamento espiritual. Não se olha tanto para as provas passadas, mas para a presença do Senhor em meio a todas elas. Ele deixa muito claro o quanto vale a pena seguir Jesus. Não somente por um “prêmio” prometido, mas sobretudo por um amor constante, que se experimenta na realidade vivida. E compara sua luta e o seu sacrifício em prol do evangelho a uma competição esportiva, cujo “prêmio” não é uma coroa material e passageira, mas a plenitude da vida em Cristo.

Acostumado com o ofício de pescador no mar da Galileia, Simão, diferentemente de Paulo, encantou-se à primeira vista com a pregação do andarilho que por ali anunciava uma Boa-nova. Ele acompanha Jesus, conhece-o mais profundamente, aprende seus ensinamentos, sem esconder sua fragilidade, ao negar Jesus diante das ameaças. A 1ª leitura enfatiza a oração da comunidade, por cuja força Pedro se livra da prisão. A oração é respondida com a intervenção de um anjo, mensageiro de Deus, que liberta Pedro. O autor dos Atos está sugerindo que as cadeias podem ser superadas quando a oração em comum ganha força e se torna vida. Não é um ato mágico que faz obter resultados imediatos. A oração nos transforma e nos compromete a atuar de uma maneira melhor, abrindo nosso interior para a realização das maravilhas de Deus. Poder das chaves

No Evangelho, Jesus propõe uma questão fundamental para a percepção e a compreensão da sua identidade, pois apesar de caminharem com ele e do entusiasmo, os discípulos ainda não sabiam tão bem quem Jesus era nem tinham certeza da sua missão. Percebiam que Jesus falava em nome de Deus, como um profeta, mas não reconheciam sua identidade mais profunda. Depois, o questionamento se dirige diretamente àquele grupo que já tinha uma caminhada com Jesus, conhecia-o mais do que a multidão e podia afirmar algo mais: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Como porta-voz dos outros, Simão Pedro, diz: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. A resposta acertada causa admiração em Jesus que felicita Pedro por reconhecer algo tão valioso para o novo seguimento, mas mostrando que já é a ação da graça de Deus nele. Por isso, Jesus confere nova identidade a Simão. ele é designado e constituído como “pedra”, rocha, representando o compromisso de manter-se firme e confirmar os outros do grupo na fé professada. Para tanto, Pedro recebe o poder das chaves, referência que explicita a missão da Igreja de refletir o mistério do Reino anunciado por Cristo.

A Igreja se constituiu a partir daqueles primeiros discípulos e foi se ampliando pelos séculos até nossos tempos. Atualmente, formamos a comunidade que segue o caminho de/com Jesus e ouve a Palavra de Deus com a mesma indagação: “O que você diz que eu sou?”. Unidos aos apóstolos Pedro e Paulo e à Tradição eclesial, renovamos nossa profissão de fé em Jesus. Ao reconhecermos quem ele é, ouvimos também quem somos para ele, nossa importância para a edificação da Igreja, sacramento do Reino de Deus no mundo. Cada qual, por seu próprio caminho e com sua história particular, é chamado igualmente ao seguimento de Jesus. As diferenças não nos fazem divergentes ou excludentes, mas colaboram para nos completarmos mutuamente e nos enriquecermos com os dons uns dos outros.



Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.

Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.

Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.

É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.

Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.

Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.

A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.

Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.

Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.

Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.

Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.

Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.