A luz da Palavra

Palavra de Deus 2

15º DOMINGO COMUM  

12 de julho de 2026
Leituras: Is 55,10-11 / R, 8,18-23 / Mt 13,1-23

Escutadores da Palavra

Voltamos hoje ao tema do domingo anterior, quando Jesus fez a distinção entre os “pequenos”, que entendem a revelação de Deus através dele, e os sábios, que não entendem. Os “sábios” não querem ver o que está claro, preferem sua cegueira, porque estão muito focados em si mesmos, no poder, no dinheiro, nas vantagens, nas coisas triviais. No entanto, Deus faz a sua obra. A eficácia da palavra é irreversível. Pode haver atrasos, mas a Palavra terminará por fazer acontecer o mundo futuro. Porque é palavra divina, viva e eficaz, realiza uma obra que o ser humano não pode impedir que aconteça.

Os discípulos perguntam por que Jesus fala em parábolas, em vez de dizer as coisas direta e claramente. A resposta é: porque o Reino de Deus não é algo de evidência imediata. Não se mostra ao olhar superficial. Só é compreendido por quem quiser participar; por quem, na fé, se entrega à sua dinâmica. Por isso Jesus usa imagens, parábolas. Pode acontecer que uma pessoa simples as entenda, enquanto os de “coração empedernido” ouvem e veem exteriormente, mas não percebem interiormente o que a palavra significa – ao contrário da “terra boa”, que representa quem “ouve a palavra e a compreende”.

A realidade do Reino, nas parábolas, revela-se a quem crê e esconde-se a quem não crê. Por que alguns entendem, outros não? A uns é dado conhecer os mistérios do Reino, outros não chegam a abrir a casca da parábola. É como no banco: quem tem bastante depósito, ganha crédito; mas quem não tem, não consegue nada e ainda vê sua conta secar por causa das tarifas. Jesus cita essa “regra bancária” como ilustração, porque seu povo conhecia muito bem essas coisas! Jesus aplica essa imagem à fé.

A existência da incredulidade não contraria o plano de Deus. O confronto com a incredulidade já fazia parte do programa do profeta Isaías, citado no evangelho de hoje. O ser humano é livre para ser incrédulo, mas o plano de Deus é tão grande, que consegue até incluir essa incredulidade. A incredulidade ante a mensagem cristã não tem por consequência necessária a rejeição a Deus. Só Deus sabe quem se abre intimamente a ele e quem não. Mas os que, por causa da incredulidade, não conseguem acolher e fazer frutificar a Palavra carecem da felicidade de ser povo-testemunha de Deus. Talvez se salvem, mas não podem cantar, já agora, as maravilhas do Senhor e reconhecer seu Reino em Cristo. Naqueles que ouvem e não compreendem, a Palavra não cria raízes.

Para Jesus, as causas disso são o “maligno” (as forças contrárias a Jesus e ao Reino de Deus), a superficialidade, a desistência na hora da dificuldade, as “preocupações do mundo e a ilusão da riqueza”, que favorecem o consumismo, a idolatria do dinheiro, a corrupção, a polarização política, a adesão ao ódio e à intolerância na recusa de receber e dar perdão e misericórdia, a corrida atrás das fake news. Mas existem também aqueles que ouvem e compreendem e produzem fruto. A diferença está na disposição do ouvinte. É preciso estarmos bem conscientes de que Deus não prescinde de nós para atuar na história humana. A sua Palavra dá-nos esperança, indica-nos os caminhos que devemos percorrer e dá-nos o ânimo para intervirmos no mundo.

Vivemos na era do relógio. Passamos a vida numa correria louca, contando os minutos, sem tempo para as pessoas, para Deus e para nós. Tornamo-nos impacientes e exigentes. E achamos que Deus também deve seguir os nossos ritmos, agir imediatamente, resolver logo nossos problemas e atuar ao sabor dos nossos desejos e projetos. É preciso, no entanto, aprender a respeitar o ritmo e o tempo de Deus. A Palavra de Deus é sempre eficaz (embora não tenha os nossos prazos) e não volta sem ter produzido o seu efeito, cumprido a vontade de Deus e realizado a sua missão. Ela não é uma teoria neutra ou um conjunto de doutrinas vazias. A palavra do evangelho é uma força poderosa que exige compromisso de vida e conversão contínua. Não há como ser cristão e ficar em cima do muro, sem produzir frutos.



16º DOMINGO COMUM  

19 de julho de 2026
Leituras: Sb 12,13.16-19 / Rm 8,26-27 / Mt 13,24-43

A paciência de Deus conosco

Hoje, com a Parábola das sementes boa e má que crescem juntas, São Mateus descreve o acontecimento do Reino de Deus em três momentos:

No primeiro, mostra que o Reino acontece em meio aos seus inimigos; quer dizer que vivemos a fé numa permanente situação de tensão entre o que pensamos e o que o somos. É como a planta ruim que cresce junto com o trigo. A erva daninha (o joio) e a erva nutritiva (o trigo) são muito parecidas e, por isso, não se distinguem no início da plantação. Na vida, estamos sempre cercados de adversidades que se contrapõem à nossa fé. O Reino de Deus sofre contínuas oposições e deve crescer ao lado do mal bem organizado. O mal é forte.

Porém, e aí vem o segundo momento da parábola, mais forte deve ser o cristão para crescer nessa situação. Ele ensina que o Reino de Deus tem uma força interna para seu crescimento como a de uma semente, mesmo pequenina. A oposição do mal e da mentira força a consciência cristã a ser mais forte e instruir-se. Para que? Para que o cristão tenha dentro de si o apelo do fermento, que se mistura à massa, não faz barulho, não aparece na composição da massa, mas a transforma, levedando-a, modificando-a, fazendo-a crescer e tornar-se saborosa. O Reino de Deus é, então, missão de todos nós que cremos.

Cada pequeno gesto de amor e humanização que espalhamos nesta luta entre o bem e o mal corrobora para a vitória do bem: é o terceiro momento da parábola. Como assim? É que devemos levar em conta que a força do Reino não depende de nós. O Reino de Deus acontece também como o fermento que faz a massa crescer. Ele dá seu fruto sem que saibamos como. Tudo depende de sua força interior que vem de Deus. É como uma sementinha que tem dentro de si árvores imensas. Tudo isso para ressaltar que a vivência do Reino de Deus vai acontecendo em meio e nas situações adversas.

Mas aí nasce uma outra pergunta: Qual é a atitude que podemos ter diante dessa planta nociva que cresce junto, até mesmo em meio à nossa própria comunidade de fé? Jesus diz que é com a paciência que devemos esperar a hora da colheita. Aí estas forças serão separadas. Em outro momento, Jesus já insinuara que não somos nós os juízes deste mundo. O juiz é o divino dono da messe. Somos apenas os cultivadores. Tratar tudo com humanidade é a condição necessária para o crescimento do Reino de Deus no mundo. Temos que agir como Deus, como diz a 1ª Leitura: “dominando a própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração”. E Paulo (2ª Leitura) apresenta a arma para nos proteger: “É segundo Deus que o Espírito reza dentro de nós. Não estamos sozinhos diante das dificuldades. Ele reza em nós com gemidos inefáveis”, quer dizer, com as palavras de Deus que não temos.

Sofremos quando vemos dentro de nós essa divisão: temos coisas boas que devem conviver com aspectos até negativos de pecados. É preciso paciência e saber suportar-se. Não ter medo de ser fraco e acolher as fraquezas dos irmãos. Somos pecadores, temos a tendência para o mal. Quanto mais a Deus pertencermos, mais humanos seremos. Teremos muitas falhas, mas também muita força para lutar. Quem não quer lutar, já perdeu. Precisamos dos auxílios de Deus, sobretudo na oração, na reflexão e na Eucaristia. Jesus passou por isso. E venceu. Venceremos!



17º DOMINGO COMUM  

26 de julho de 2026
Leituras: 1Rs 3,5.7-12 / Rm 8,28-30 / Mt 13,44-52

Nem tudo que reluz é ouro

Os textos de hoje se resumem na frase: o discernimento e opção pelo Reino. O Reino se constrói à medida em que empenhamos a vida por ele. As leituras nos perguntam se já arriscamos ou vendemos tudo alegremente em vista do Reino de justiça, que é a sociedade com a qual todos sonhamos; se colocamos todo nosso ser a serviço do bem comum e da realização do projeto de Deus; ou se nos deixamos contagiar pela febre de poder que levou à ruína o povo de Deus do Antigo Testamento e que tem levado à ruina também a sociedade mundial de hoje.

Uma pessoa ingênua, ambiciosa de um lucro fácil, acaba caindo facilmente em contos do vigário aplicados por malandros muito bem treinados. E isto não é coisa só de novela da Globo. É a própria vida real na qual estamos diariamente inseridos em todas as suas dimensões. Isto acontece porque o golpista só aborda as pessoas que sonham em ficar ricas da noite para o dia, apossando-se de grande fortuna, nem que isso signifique dar em troca tudo o que se tem, toda a sua economia. A pessoa que não tem o discernimento do espírito, dado pela sabedoria que vem do alto, facilmente deixa de lado os valores do Reino de Deus, para correr iludida atrás de realidades que nada valem, que parecem ser um tesouro, até que um dia descobre que se trata de um ouro falso e sem nenhum valor.

Os dois personagens da parábola do evangelho de hoje, quando descobrem a preciosidade do tesouro escondido e a beleza de uma pérola rara, escondida no meio das outras, não pensam duas vezes para colocar aquilo que realmente é valioso como a única prioridade em suas vidas. Mas para entender isso, é necessário ter o discernimento do espírito e a sabedoria que vem do alto. Salomão, na Primeira Leitura, compreendeu que o mais importante é ser sábio diante de Deus, para saber fazer as escolhas certas, e fazer, nesta vida, a opção certa, a favor do Reino de Deus.

Santa Tereza D’Ávila, disse uma vez, respondendo a uma pergunta que lhe fizeram, que preferia ter um diretor espiritual sábio do que ter um diretor espiritual santo. Porque o sábio a faria descobrir as melhores de cisões que a levaria à santidade. É esse discernimento que nos permite separar na rede da vida, aquilo que realmente é bom e tem valor, entendendo que o resto é peixe estragado, que não serve para nada. Tudo parece diante de nós um único tesouro, mas é preciso tirar apenas aquilo que é novo. Esse novo é Jesus Cristo, Salvador e Redentor nosso, o único e verdadeiro tesouro pelo qual vale a pena dar tudo o que temos e somos, para que, em nossas relações com o próximo, sejamos cada vez mais imagem e semelhança daquele que nos predestinou à sua glória.



Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.

Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.

Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.

É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.

Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.

Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.

A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.

Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.

Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.

Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.

Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.

Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.