SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE
31 de maio de 2026
Leituras: Ex 34,4b-6.8-9 // 2Cor 13,11-13 // Jo 3,16-18
O Deus do amor, da comunhão e da comunicação
Quando o homem olha para dentro de si, afim de analisar sua experiência religiosa, tem a sensação de um abismo sem fundo, uma profundeza infinita. A essa profundeza inatingível de nosso ser refere-se a palavra “Deus”. Deus significa isto: a profundeza última da nossa vida, a fonte do nosso ser, a meta de todos os nossos esforços. Esse fundo íntimo do nosso ser manifesta-se na abertura do nosso “eu” para um “tu”, e na seriedade dessa inclinação. Vemos assim impressa em nosso ser a realidade profunda e grandiosa do Deus cristão, a Trindade, Isto é, o mistério de um Deus que é comunidade e comunhão de vida. Um Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo.
O tempo pascal pôs-nos diante dos olhos a unidade da obra do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Cristo veio cumprir a obra do Pai e nos deu seu Espírito, para que ficássemos nele e mantivéssemos o que ele fundou, renovando-o constantemente, nesse mesmo Espírito. Assim, a festa de hoje vem completar o tempo pascal, como uma espécie de síntese “misterial”, isto é, celebrando a nossa participação na obra das pessoas divinas: seu amor e sua fidelidade. Na realidade, o que evocamos na realidade trinitária de Deus não se trata de uma fórmula matemática, mas de um resumo de duas certezas de nossa fé: 1ª) Deus é um só; 2ª) o Pai, o Filho e o Espírito Santo são Deus. Isso nos convida à “contemplação” do mistério de Deus. Pois um mistério não é para o colocarmos dentro da cabeça, mas para colocar a cabeça (e a pessoa toda) dentro dele.
O próprio Deus vem ao homem, manifesta-se a ele como “Senhor”, mas cheio de bondade e misericórdia, rico em graça e fidelidade (Primeira Leitura). Na exuberância se seu amor pelo mundo, manifestado no dom de seu Filho único para salvá-lo (Evangelho), o Deus do amor e da paz derrama sobre os homens sua graça em Cristo, e os chama à comunhão com ele no Espírito Santo (Segunda leitura).
A comunidade trinitária é verdadeiramente o valor último e supremo, o único verdadeiro fim último do homem, uma vez que Deus, e somente Deus, é a plenitude de toda perfeição. A comunidade trinitária é verdadeiramente mistério, realidade que supera absolutamente toda compreensão humana, pois Deus se dá e se mostra totalmente ao homem, sem que o homem possa retê-lo ou contê-lo num conceito ou numa palavra. Por isso Deus jamais deixará de causar a admiração do homem, e nunca homem algum penetrará na terra de Deus se não estiver disposto a se desarraigar das fronteiras de suas limitações e da estreiteza de suas seguranças. A comunidade trinitária é o verdadeiro futuro do homem, só ela pode assegurar ao homem um plano de vida sem limites, porque capaz de superar até a morte. Santo Agostinho dizia: “Deus é tão inexaurível que quando encontrado ainda falta tudo para encontrá-lo”. Isto significa que o dinamismo e a criatividade humana encontram nele um horizonte sem limites; portanto, um futuro total.
O homem só pode ser compreendido a partir de Deus: feito à imagem de Deus, é plasmado conforme o Cristo, que é a imagem perfeita de Deus Pai, para seguir o movimento de “subida aos céus”, movido e impulsionado pelo Espírito Santo, até sentar-se à direita do Pai para vê-lo faze a face. Portanto, o cristão se caracteriza por não conhecer outro Deus exceto aquele que é o Pai de Jesus Cristo e doador do Espírito que animou Jesus e os seus, presente e atuante nas três “pessoas” que constituem sua realidade divina, e que é o modo do “acontecer de Deus” em nossa vida, na história e no universo. Assim, o mistério do amor trinitário de Deus revela algo do mistério mais profundo do homem: por sermos como somos, criaturas capazes de conhecer, amar, gerar, só podemos exprimir-nos em termos humanos, mas chegamos, com a mais profunda admiração, ao último porque de nós mesmos: Deus é amor. E porque Deus não é um mistério de solidão, mas de convivência, criatividade, conhecimento e amor, que se comunica no mais perfeito dar e receber, somos como somos, isto é, “imagem e semelhança de Deus”, a vocação de nossa criação.
Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.
Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.
Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.
É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.
Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.
Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.
A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.
Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.
Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.
Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.
Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.
Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.

