14º DOMINGO COMUM
6 de julho de 2026
Leituras: Zc 9,9-10 / Rm 8,9.11-13 / Mt 11,25-30
É preciso interromper o ciclo e a lógica da violência
Uma certa visão “americanizada” do mundo e da vida defende a necessidade de armar exércitos formidáveis, de gastar uma considerável fatia do orçamento das nações em instrumentos de morte cada vez mais sofisticados, para impor, pela força e pelo medo, a paz e a segurança do mundo. O profeta Zacarias diz-nos que a lógica de Deus é outra: Ele chega desarmado, pacífico, humilde, sem arrogância e é, dessa forma, que Ele salva e liberta os homens.
A história da salvação mostrou, muitas vezes, que é através dos pequenos e humildes, dos pobres e insignificantes que Deus atua no mundo e o transforma. Deus está mais na viúva que lança no tesouro do Templo umas pobres moedas do que no capitalista que preenche um cheque chorado para pagar os vitrais da nova igreja da paróquia; Deus está mais no gesto simples do pacifista que oferece uma flor a um soldado do que na violência daqueles que lutam de armas na mão contra os “maus”; Deus está mais no olhar límpido de uma criança do que na palavra poderosa de um pregador inflamado que “sabe tudo” sobre Deus.
Na verdade, os critérios de Deus são bem estranhos, vistos de cá de baixo, com as lentes do mundo. Nós, homens, admiramos e incensamos os sábios, os inteligentes, os intelectuais, os ricos, os poderosos, os bonitos e queremos que sejam eles (“os melhores”) a dirigir o mundo, a fazer as leis que nos governam, a ditar a moda ou as ideias, a definir o que é correto ou não. Mas Deus diz que as coisas essenciais são muito mais depressa percebidas pelos “pequeninos”: são eles que estão sempre disponíveis para acolher Deus e os seus valores e para arriscar nos desafios do “Reino”. Quantas vezes os pequenos e humildes são ridicularizados, tratados como incapazes pelos nossos “iluminados” fazedores de opinião, que tudo sabem e que procuram impor ao mundo e aos outros as suas visões pessoais e os seus pseudo-valores.
A Palavra de Deus ensina: a sabedoria e a inteligência não garantem a posse da verdade; o que a garante é ter um coração aberto a Deus e às suas propostas (e com muita frequência, são os pobres que “sintonizam” com Deus e que acolhem essa verdade que Ele quer oferecer aos homens para os levar à vida em plenitude). Jesus é um mestre diferente. Seu jugo é suave, dá paz e descanso às almas. É o mestre humilde e manso de coração, mas não no estilo água-com-açúcar. O contrário da “humildade” são o orgulho e a ostentação, que caracterizam os “grandes” de todos os tempos. E o contrário da “mansidão” do Senhor é a violência, o uso da força.
Ora, se a missão de Jesus e do crente cristão é abrir as comportas do coração, para que serviria a violência? A violência não converte; resultado último não se deve esperar dela. Por isso, mesmo se o cristão for forçado a usar de violência para proteger seu irmão, nunca a utilizará para transmitir sua mensagem. O coração violento encontra na violência que se lhe opõe uma justificativa! Só a “mansidão” (no sentido de firmeza permanente) desmancha os argumentos da violência, dizia Gandhi. A opção de Jesus pela mansidão não o impedia de ser severo, quando se fazia necessário. Seus adversários, sempre cheios de malícia e de segundas intenções, experimentaram a dureza de suas palavras e a intransigência de suas posturas.
Aos critérios humanos não ficamos devendo nada, pois estes são os da força e do “salve-se quem puder!” É difícil convencer-se disso. Estamos sempre prestando contas a critérios humanos, que nos são impostos sem a mínima razão: moda, consumo, aparência, ditadura, medo. Parece até que a gente tem medo de não ter algum poder ao qual prestar contas. Temos medo da liberdade do Espírito, da liberdade dos filhos de Deus. Quantas vezes participamos ativa ou passivamente de atitudes e juízos injustos, de pressão sobre outras pessoas, de “proveitos” injustos e de egoísmo grupal! A tudo isso não estamos devendo nada. Nosso beneficio vem de outras fontes.
Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.
Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.
Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.
É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.
Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.
Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.
A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.
Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.
Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.
Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.
Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.
Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.

