10º DOMINGO COMUM
7 de junho de 2026
Leituras: Os 6,3-6 / Rm 4,18-25 / Mt 9,9-13
Mais que “sacrifícios”, Deus quer misericórdia
Na 1ª Leitura, o profeta Oseias questiona a sinceridade de uma comunidade que procura controlar e manipular Deus, mas não está verdadeiramente interessada em aderir à aliança com um coração sincero e verdadeiro, Seus atos externos de culto – ainda que faustosos e magnificentes – não significam nada, se não houver amor a Deus, que tem sua face verdadeira no amor ao próximo. O profeta tem dúvidas sobre a sinceridade da “conversão” do Povo, que parece mais uma atitude calculista de quem está convencido de que conhece Deus perfeitamente e é capaz de manejá-lo e de manipulá-lo. O povo de Israel não está disposto a mudar o coração; mas só a “controlar” Deus para readquirir a vida. Para o Profeta, se não houver uma verdadeira transformação do coração, o apregoado amor do Povo por Deus não passa de uma piedosa declaração de boas intenções. O culto a Deus sem o amor ao irmão não faz o menor sentido. O compromisso com Deus tem de se concretizar em obras em favor dos homens e em gestos libertadores, que levem ternura e misericórdia à vida de todos aqueles que Deus coloca no nosso caminho.
Ao dizer que Deus “quer a misericórdia e não os sacrifício”, ele afirma que Deus não está interessado em rituais externos que não são expressão dos sentimentos do coração; o que interessa a Deus é um coração que aceita verdadeiramente viver em comunhão com Ele e que é capaz de gestos concretos de amor, ternura, bondade e misericórdia em favor dos irmãos. Por isso, na 2ª Leitura, apresentando Abraão como referencial de fé para todos os crentes, Paulo reforça a ideia de que não foi o cumprimento das obras da Lei ou das obras externas da religião que o tornou modelo de fé, mas a sua adesão total e incondicional a Deus e aos seus Projetos.
O Evangelho reafirma qual a resposta que devemos dar ao Deus que chama todos os homens, sem exceção. O exemplo de Mateus sugere que o decisivo, do ponto de vista de Deus, é a resposta pronta ao seu convite para integrar a comunidade do “Reino”. O texto é um apelo ao seguimento de Jesus. Trata-se de 2 episódios: no primeiro, o chamamento do publicano Mateus; no segundo, a descrição de um banquete em casa de Mateus e de uma controvérsia com os fariseus. Os publicanos eram os cobradores de impostos que, além de estarem ao serviço do opressor romano, tinham a fama e também o proveito de explorarem os pobres. Eram associados aos ladrões, aos pagãos, aos assassinos e às prostitutas, permanentemente afetados de impureza e que nem sequer podiam fazer penitência, pois eram incapazes de reconhecer todos aqueles a quem tinham defraudado. Eram, portanto, gente desclassificada (apesar de rica), impura, considerada amaldiçoada por Deus e, portanto, completamente à margem da salvação. E aí a situação criada por Jesus é inaudita: Ele não só chama um publicano para o seu grupo de discípulos, como também aceita sentar-Se à mesa com ele, estabelecendo laços de familiaridade, de fraternidade e comunhão. O comportamento de Jesus não é só um atentado à moral e aos bons costumes, mas uma verdadeira provocação, já que os fariseus, muito ciosos da sua santidade, até mudavam de passeio quando viam um publicano vir ao seu encontro.
O chamado de Mateus é substancialmente igual ao de outros discípulos: fala-se de homens que estão trabalhando e que, ao chamado de Jesus, deixam tudo para segui-lo. Não são “super-homens”, seres perfeitos e santos, estranhos ao mundo, pairando acima das nuvens, sem contato com a vida e com os problemas e dramas dos outros homens e mulheres; mas são pessoas normais, que vivem uma vida normal, que trabalham, lutam, riem e choram. Mas no chamado de Mateus há um dado novo: o “chamado” é um cobrador de impostos. E aí Jesus pretende demonstrar que, na casa do “Reino”, há lugar para todos, mesmo para aqueles que o mundo considera desclassificados e marginais. A proposta de Deus não distingue entre bons e maus: é uma proposta que se destina a todos aqueles que estiverem interessados em acolhê-la.
Na segunda parte do texto, aparece a controvérsia entre Jesus e os fariseus, porque Jesus “desceu ainda mais baixo” e aceitou sentar-Se à mesa com os publicanos e pecadores. Com esta atitude, Jesus mostra, de forma clara, que veio apresentar uma proposta de mundo novo, em que todos os homens e mulheres (independentemente das suas opções ou decisões erradas) têm lugar. A única condição para sentar-se à mesa do “Reino” é estar disposto a aceitar essa proposta que é feita por Jesus. Os fariseus não entendem isto. Jesus recorda-lhes que “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes”; e ironicamente cita Oseias: “prefiro a misericórdia ao sacrifício”. Os fariseus julgavam-se justos e bons, porque cumpriam a Lei; mas, na perspectiva de Jesus, os “justos” não são os que estão satisfeitos consigo próprios e vivem isolados na sua autossuficiência, mas todos aqueles que não se conformam com a triste situação em que vivem e estão dispostos a acolher o dom de Deus e a aderir à sua proposta de salvação.
A história de Mateus dá-nos algumas indicações acerca da forma como responder ao chamamento de Deus. Mateus, convidado por Jesus a integrar a comunidade do “Reino”, considerou tudo como secundário, abandonou os projetos pessoais (que passavam pela aposta nos bens materiais, mesmo se conseguidos com recurso à exploração e à injustiça) e correu atrás de Jesus. Fica, então, a pergunta: o “Reino” é, para mim, algo de fundamental, que se sobrepõe a todos os outros valores, ou um projeto secundário, que me ocupa nas horas vagas, mas que não é uma prioridade em minha vida?
Perante situações injustas, dolorosas, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão. Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos. É a fé que nos diz que Deus está conosco, que Deus está no meio de nós e a sua presença incita-nos à caridade; àquela caridade que nasce do apelo de um Deus que não cessa de bater à nossa porta, à porta de todos para nos convidar ao amor, à compaixão, a darmo-nos uns aos outros. Jesus continua a bater às nossas portas, à nossa vida. Não o faz magicamente, nem o faz com truques, com vistosos placares ou fogos de artifício. Jesus continua a bater à nossa porta no rosto do irmão, no rosto do vizinho, no rosto de quem vive junto de nós.
Nós acreditamos na força da Páscoa de Jesus e desejamos assumir, a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais — sem-terra, sem-teto, sem-pão, sem-saúde — lesadas em seus direitos”.
Para isso, todos os batizados — animadores fundamentais da CF — devem unir-se neste serviço à comunhão da Igreja no Brasil. Todos nós, caminhando juntos, motivaremos nossas comunidades a uma conversão concreta em vista do crescimento da fraternidade em nosso meio.
É importante encontrar e criar oportunidades para propor a reflexão da CF 2026 nas celebrações comunitárias, nas catequeses, nos conselhos diocesanos, paroquiais e comunitários, nos encontros e reuniões de pastorais e movimentos eclesiais, nas escolas e nas câmaras legislativas. O que importa é insistir no que é a CF em si mesma — um instrumento de comunhão eclesial, de formação das consciências, do comportamento cristão e do compromisso com a fraternidade.
Nas Sagradas Escrituras, Maria de Nazaré, mulher do povo, é a primeira morada da Nova Aliança, a mulher do “faça-se” (Lc 1,38). Nela, mãe e amparo dos desabrigados, verificaram-se os dramas da moradia. Ela conheceu, desde cedo, a experiência da moradia negada, pois “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7). Maria é migrante, pois, pelo abuso de poder de Herodes, teve que fugir para o Egito (Mt 2,13-15). Após algum tempo retorna a uma cidade estigmatizada: “De Nazaré pode sair algo de bom?” (Jo 1,46). Em Maria, o Deus transcendente se faz hóspede. A História da Salvação começa, nela, a ser tecida em cenário doméstico: entre o silêncio e o serviço, entre a fé que acolhe e o amor que se apressa.
Foi na casa de Isabel, lugar pobre, mas visitado pela Promessa, que Maria entoou o canto que perpassa gerações: “Deus depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os de condição humilde. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos sem nada” (Lc 1,52-53). O Magnificat, que, tantas vezes, é oração dos lábios, é também escola de um amor que se traduz em pés peregrinos e em mãos que servem. A espiritualidade mariana se compõe de escuta e de fala, de silêncio e de prece, do mesmo modo que de mãos operosas e de marcha a caminho, indo às casas onde falta pão, dignidade, afeto, espiritualidade, indo inclusive àqueles que nem casa têm para morar. Maria conjuga mística e profecia. Em sua boca se encontram a prática de vida, o louvor, a ternura e a justiça.
A nossa fé nos garante que o Reino já é dado em graça, mas só acontecerá se for construído, e esta construção tem um processo histórico, que exige a intervenção prática dos cristãos. Então, mãos à obra! É o Senhor quem nos envia, nos sustenta e nos conduz. Interceda por nós a Virgem Maria, e sua sagrada família, peregrina, refugiada, marginal e sem-teto.
Objetivo: Despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como um direito fundamental e uma expressão concreta da fé cristã, promovendo a reflexão sobre a realidade habitacional no Brasil.
Foco: A campanha convida a olhar para as pessoas em sofrimento (sem teto, em habitações precárias) como irmãos, buscando aliviar essa dor e construir uma sociedade mais justa durante a Quaresma.
Cartaz: O cartaz da campanha traz a imagem da escultura “Cristo sem teto”, que representa Jesus como uma pessoa em situação de rua, com os pés marcados pela cruz, convidando a sentar ao seu lado.
Hino: O hino oficial destaca o compromisso com a moradia como um ato de fé, com a letra “Ele veio morar entre nós”.
Contexto: A campanha reforça a importância da moradia como espaço de dignidade para a família, para o pão partilhado e para a oração.

